segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Morre aos 84 anos o fotógrafo pernambucano Alcir Lacerda



Morreu, na madrugada desta segunda-feira (10), o fotógrafo pernambucano Alcir Lacerda, aos 84 anos. Considerado um dos maiores profissionais da área no estado, Lacerda faleceu devido a uma parada cardiorrespiratória, no Hospital Alberto Sabin, na área central do Recife. O fotógrafo registrou importantes fatos históricos de Pernambuco. Ele deixa esposa, quatro filhos, onze netos e sete bisnetos.

Alcir Lacera foi o fundador da Acê Filmes e trabalhou tanto com a fotografia  na publicidade, no jornalismo e em eventos sociais como também com fotos artísticas autorais, retratando paisagens do interior e do litoral pernambucano. Nascido em um engenho na cidade de São Lourenço da Mata, no Grande Recife, em 20 de setembro de 1927, ele participou da cobertura fotográfica de fatos como o golpe militar em Pernambuco, em 1964, e a abertura da Avenida Dantas Barreto e a derrubada da Igreja dos Martírios, no centro do Recife, em 1972.


Apaixonado pela profissão, Lacerda, através da Acê Filmes, prestou serviços a clientes como Italo Bianchi Publicidade, Alcântara Publicidade, Aliança Publicitária e a jornais e revistas como Diario de Pernambuco, Jornal do Commercio, O Estado de São Paulo, Manchete, Fatos e Fotos, O Cruzeiro, Veja e Placar. Mesmo aos 84 anos, o fotógrafo ainda trabalhava em sua empresa - ele mantinha também o seu laboratório de revelação em preto e branco, o único no Recife.

Parentes e amigos já prestam as homenagens a Lacerda desde a manhã desta segunda, em velório realizado no Cemitério da Várzea, na Zona Oeste da capital. O enterro está previsto para acontecer às 16h.


domingo, 9 de setembro de 2012

Supremo faz audiência para discutir polêmica sobre racismo na obra de Monteiro Lobato


Aline Leal Valcarenghi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) vai realizar na próxima terça-feira (11) uma audiência de conciliação para discutir a adoção de livros de Monteiro Lobato pela rede pública de ensino. O caso chegou ao STF por meio de um mandado de segurança apresentado pelo Instituto de Advocacia Racial (Iara) e pelo técnico em gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto. Ambos afirmam que a obra de Monteiro Lobato tem “elementos racistas”.
Em 2010, o Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou que a obra Caçadas de Pedrinho não fosse mais distribuída às escolas públicas por considerar que ela apresentava conteúdo racista. O conselho apresentava trechos da obra para justificar o veto à obra: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão.”
Em seguida, o Ministério da Educação (MEC) recomendou que o CNE reconsiderasse a determinação. O conselho decidiu então anular o veto e indicar que as próximas edições do livro viessem acompanhadas de uma nota técnica que instruísse o professor a contextualizar a obra ao momento histórico em que ela foi escrita.
Com o mandado de segurança, o Iara pretende anular a última decisão do CNE. Eles pedem ainda a “imediata formação e capacitação de educadores” para que a obra seja utilizada “de forma adequada na educação básica”. No mandado de segurança, eles afirmam que o livro Caçadas de Pedrinho é utilizado como “paradigma” e que essas regras devem nortear a aquisição, pela rede pública de ensino, de qualquer livro literário ou didático que contenham “qualquer forma de expressão de racismo cultural, institucional e individual”.

Edição: Lílian Beraldo

SINTONIZANDO O LEITOR:

O livro Caçadas de Pedrinho teria elementos racistas / DivulgaçãoO livro Caçadas de Pedrinho teria elementos racistasDivulgação

Caçadas de Pedrinho é um livro infantil escrito por Monteiro Lobato e publicado em 1933.
O livro relata uma descoberta do Marquês de Rabicó: uma onça anda rondando as proximidades do Sítio do Picapau Amarelo. Pedrinho e Narizinho decidem então organizar uma expedição para caçar a fera, mas sem avisar Dona Benta ou Tia Nastácia, que com certeza se oporiam à aventura. Durante a caçada, eles encontram Quindim, um rinoceronte falante, e decidem trazê-lo para morar no sítio.

Capítulos:
1°E era onça mesmo!
2°A volta para casa
3°Os habitantes da mata se assustam
4°Os espiões da Emília
5°A defesa estratégica
6°Aparece uma nova menina
7°O assalto das onças
8°Os negócios da Emília
9°Emília vende o rinoceronte
10°O Rio de Janeiro é avisado
11°Inaugura-se a linha
10°Rinoceronte familiar


sábado, 8 de setembro de 2012

O que é Blog?



Um blog (português brasileiro) ou blogue (português europeu)(contração do termo inglês Web log, diário da Web) é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou posts. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog.
Muitos blogs fornecem comentários ou notícias sobre um assunto em particular; outros funcionam mais como diários online. Um blog típico combina texto, imagens e links para outros blogs, páginas da Web e mídias relacionadas a seu tema. A capacidade de leitores deixarem comentários de forma a interagir com o autor e outros leitores é uma parte importante de muitos blogs.
Alguns sistemas de criação e edição de blogs são muito atrativos pelas facilidades que oferecem, disponibilizando ferramentas próprias que dispensam o conhecimento de HTML. A maioria dos blogs são primariamente textuais, embora uma parte seja focada em temas exclusivos como arte, fotografia, vídeos, música ou áudio, formando uma ampla rede de mídias sociais. Outro formato é o microblogging, que consiste em blogs com textos curtos.
Em dezembro de 2007, o motor de busca de blogs Technorati rastreou a existência de mais de 112 milhões de blogs.Com o advento do videoblog, a palavra blog assumiu um significado ainda mais amplo, implicando qualquer tipo de mídia onde um indivíduo expresse sua opinião ou simplesmente discorra sobre um assunto qualquer.
História
O termo weblog foi criado por Jorn Barger em 17 de dezembro de 1997. A abreviação blog, por sua vez, foi criada por Peter Merholz, que, de brincadeira, desmembrou a palavra weblog para formar a frase we blog ("nós blogamos") na barra lateral de seu blogPeterme.com, em abril ou maio de 1999. Pouco depois, Evan Williams do Pyra Labs usou blog tanto como substantivo quanto verbo (to blog ou "blogar", significando "editar ou postar em um weblog"), aplicando a palavra blogger em conjunção com o serviço Blogger, da Pyra Labs, o que levou à popularização dos termos.
Origens
Antes do formato blog se tornar amplamente conhecido, havia vários formatos de comunidades digitais como o Usenet, serviços comerciais online como o GEnie, BiX e Compuserve, além das listas de discussão e do Bulletim Board System (BBS). Em 1990,softwares de fóruns de discussão como o WebEx criaram os diálogos via threads.
O blog atual é uma evolução dos diários online, onde pessoas mantinham informações constantes sobre suas vidas pessoais. Estes primeiros blogs eram simplesmente componentes de sites, atualizados manualmente no próprio código da página. A evolução das ferramentas que facilitavam a produção e manutenção de artigos postados em ordem cronológica facilitaram o processo de publicação, ajudando em muito na popularização do formato. Isso levou ao aperfeiçoamento de ferramentas e hospedagem próprios para blogs.
Popularização
A mensagem passou a modelar o meio, quando no início de 2000, o Blogger introduziu uma inovação – o permalink, conhecido em português como ligação permanente ou apontador permanente – que transformaria o perfil dos blogs. Os permalinks garantiam a cada publicação num blog uma localização permanente - uma URL – que poderia ser referenciada. Anteriormente, a recuperação em arquivos de blogs só era garantida através da navegação livre (ou cronológica). O permalink permitia então que os blogueiros pudessem referenciar publicações específicas em qualquer blog.
Em seguida, hackers criaram programas de comentários aplicáveis aos sistemas de publicação de blogs que ainda não ofereciam tal capacidade. O processo de se comentar em blogs significou uma democratização da publicação, consequentemente reduzindo as barreiras para que leitores se tornassem escritores.
A blogosfera, termo que representa o mundo dos blogs, ou os blogs como uma comunidade ou rede social, cresceu em ritmo espantoso. Em 1999 o número de blogs era estimado em menos de 50; no final de 2000, a estimativa era de poucos milhares. Menos de três anos depois, os números saltaram para algo em torno de 2,5 a 4 milhões. Atualmente existem cerca de 112 milhões de blogse cerca de 120 mil são criados diariamente, de acordo com o estudo State of Blogosphere.
Tipos
Existem diversos tipos de blogs atualmente. Entretanto é possível dividi-los em três grandes ramos:
Blogs pessoais
Os blogs pessoais são os mais populares, normalmente são usados como um gênero de diário com postagens voltadas para os acontecimentos da vida e as opiniões do usuário. Também são largamente utilizados por celebridades que buscam manter um canal de comunicação com seus fãs. Exemplos disso são os blogs de Marcelo Tas e Ivete Sangalo.
Blogs corporativos e organizacionais
Muitas empresas vêm utilizando blogs como ferramentas de divulgação e contato com clientes.Tanto é assim que já existe a profissão de blogueiro, ou seja, profissionais são contratados pelas empresas com o cargo de blogueiro para a realização de blogs internos ou externos para registrar as diversas atividades corporativas respectivamente para públicos internos (colaboradores) de forma mais privativa e externos como clientes e fornecedores. A empresa líder em blogs pelo mundo é a Microsoft com um total de 4500 blogs.
Blogs de gênero
Por fim há blogs com um gênero específico, que tratam de um assunto dominado pelo o usuário, ou grupo de usuários. Estes são os blogs com o maior número de acessos. Sendo que eles podem apresentar conteúdos variados, como humorísticos, notícias, informativos ou o de variedades, com contos, opiniões políticas e poesias.
Componentes do blog
Blogger
Blogueiro (português brasileiro) ou bloguista (português europeu) ou ainda blóguer ou bloggersão palavras utilizadas para designar aquele que escreve em blogues. O universo dos blogueiros (a soma de tudo o que está relacionado a este grupo e este grupo em si) é conhecido como blogosfera.
No dia 31 de agosto, comemora-se o Dia do Blog (português brasileiro) ou Dia do Blogue (português europeu) (devido a semelhança da data 31.08 com a palavra blog), que se propõe a promover a descoberta de novos blogues e de novos blogueiros (português brasileiro) ou bloguistas (português europeu) .
Artigos
Conhecidos também como post, a forma substantiva anglófona do verbo "postar", refere-se a uma entrada de texto efetuada numweblog/blog. As postagens são organizadas tradicionalmente de forma cronologicamente inversa na página, de forma que as informações mais atualizadas aparecem primeiro, ou colocada ao contrário, a postagem mais antiga aparece em primeiro, sendo opção do blogueiro.
Um artigo deve seguir a temática proposta pelo blog e, embora permita uma enorme liberdade opinativa, seu conteúdo está sujeito às mesmas regras legais de outras fontes, de modo que seu autor pode vir a ser responsabilizado juridicamente por aquilo que escreve.
Atualmente, a maioria dos blogs é compatível com o recurso de inserção de imagens, vídeos, áudio nos artigos.
Comentários
Um recurso característico dos blogs é a possibilidade de interação do visitante, respondendo ou opinando em relação aos artigos publicados.

Fonte: Wikipédia(a enciclopédia Livre)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Independencia ou Morte 1972 - Independencia do Brasil


Dia da Independência do Brasil(Dia da Pátria)


Imagem do http://www.dinet.tv

Em 1808, tropas francesas comandadas pelo imperador Napoleão Bonaparte invadiram Portugal como forma de retaliação ao país ibérico por sua recusa em participar do embargo comercial contra o Reino Unido. Fugindo da perseguição, a família real portuguesa transferiu a corte portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil Colônia. Em 1815, o príncipe regente D. João VI criou o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, elevando o Brasil à condição de reino subordinado a Portugal, aumentando as independências administrativas da colônia.
Em 1820, uma revolução política irrompeu em Portugal, forçando o retorno da família real. O herdeiro de D. João VI, o príncipe D. Pedro de Alcântara, permaneceu no Brasil. Em 1821, a Assembleia Legislativa portuguesa determinou que o Brasil retornasse à sua condição anterior de subordinação, assim como o retorno imediato do príncipe herdeiro do trono português. D. Pedro, influenciado pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro se recusou a retornar em 9 de janeiro de 1822, na data que ficaria conhecida como Dia do Fico.
Em 3 de junho de 1822, dom Pedro convocou a primeira Assembleia Constituinte brasileira. Em 1º de agosto, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil e, dias depois, assinou o Manifesto às Nações Amigas, justificando o rompimento das relações com a corte de Lisboa e garantindo a independência do país, como reino irmão de Portugal.
Em 2 de setembro de 1822, um novo decreto com as exigências portuguesas chegou ao Rio de Janeiro, enquanto D. Pedro estava em viagem a São Paulo. Sua esposa, a princesa Maria Leopoldina, atuando como princesa regente, se encontrou com o Conselho de Ministros e decidiu enviar ao marido uma carta aconselhando-o a declarar a independência do Brasil. A carta chegou a D. Pedro no dia 7 de setembro. No mesmo dia, em cena famosa às margens do Riacho Ipiranga, ele declarou a independência do Brasil, pondo fim aos 322 anos do domínio colonial exercido por Portugal. De acordo com o pesquisador Laurentino Gomes, autor de livro sobre o evento, D. Pedro "não conseguiu esperar a chegada a São Paulo, onde poderia anunciar a decisão". Gomes acrescenta que ele "era um homem temerário em suas decisões mas tinha o perfil do líder que o Brasil precisava na época, pois não havia tempo para se pensar".
Um mês depois, em 12 de outubro de 1822, dom Pedro foi aclamado imperador e, em 1º de dezembro, coroado pelo bispo do Rio de Janeiro, recebendo o título de Dom Pedro I. As províncias da Bahia, do Maranhão e do Pará, que tinham juntas governantes de maioria portuguesa, só reconheceram a independência em 1823, depois de muitos conflitos entre a população local e os soldados portugueses.
No início de 1823, houve eleições para a Assembleia Constituinte que elaboraria e aprovaria a Carta constitucional do Império do Brasil, mas, em virtude de divergências com dom Pedro, a Assembleia logo foi fechada. A 1ª Constituição brasileira foi, então, elaborada pelo Conselho de Ministros e outorgada pelo imperador em 25 de março de 1824. Com a Constituição em vigor, a separação entre a colônia e a metrópole foi finalmente concretizada. Mesmo assim, a independência só é reconhecida por Portugal em 1825, com a assinatura do Tratado de Paz e Aliança entre Portugal e Brasil, por D. João VI.Quadro abaixo Independência ou Morte: & de setembro de 1822 é de Pedro Américo.



Fonte: Enciclopédia Livre

terça-feira, 4 de setembro de 2012

CAS aprova projeto que determina imunização contra o HPV pelo SUS


Iara Farias Borges da Agência Senado                                                                                                                             

Meninas de nove a 13 anos poderão ser imunizadas contra o papilomavírus humano (HPV) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Projeto de lei com esse objetivo, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), foi aprovado nesta quarta-feira (29) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
Como foi aprovado na forma de substitutivo, o projeto terá que ser submetido à votação em turno suplementar.
O texto inicial do projeto de lei do Senado (PLS 238/2011) prevê imunização para as mulheres de 9 a 40 anos. O substitutivo da relatora da matéria, senadora Marta Suplicy (PT-SP), porém, redefiniu para nove a 13 anos o grupo prioritário para vacinação contra o vírus HPV. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), argumentou a relatora, a vacinação em meninas nessa faixa etária é mais eficaz e representa maior economia para a saúde pública.
Marta Suplicy observou que apenas no primeiro ano será exigido um orçamento maior para a vacinação – cerca de R$ 600 milhões, segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde. Já nos anos subsequentes, esse valor passa para R$ 150 milhões, pois serão vacinadas somente as meninas que entrarem nesse grupo.
O substitutivo reforça a necessidade da realização de procedimentos de prevenção, como o exame Papanicolau, bem como ações de combate ao câncer de colo de útero. O texto ainda determina que a vacinação priorize regiões com menor cobertura de exames de prevenção contra o câncer de colo do útero.
Mortes
Marta Suplicy ressaltou que cerca de 90% dos cânceres do colo do útero são causados pelo vírus HPV. A OMS informa que existem mais de 30 tipos de HPV, dos quais 13 causam câncer. Esse tipo de vírus é muito comum e em algum momento de suas vidas as mulheres entram em contato com esses agentes, ressaltou a senadora.
No Brasil, informou Marta Suplicy, aproximadamente 11 milhões de mulheres são infectadas com HPV e menos de 10% delas desenvolvem câncer de colo de útero. No entanto, das que adquirem a doença, 26% são vitimadas.
- Os números são muito preocupantes. Só no Brasil, a cada ano, são quase 18 mil novos casos de câncer, levando à morte de 4.800 mulheres. Depois do câncer de mama, o de colo de útero é o segundo tumor maligno de maior incidência entre as mulheres brasileiras, observou Marta Suplicyem seu parecer.
Medida Profilática
O senador Paulo Davim (PV-RN) ressaltou que a medida possui extrema importância do ponto de vista da saúde pública. O senador explicou que por ser a vacina profilática, ou seja, preventiva, e não terapêutica, não há necessidade de ampliação da faixa etária, uma vez que a eficácia é maior em meninas que ainda não iniciaram a vida sexual ativa e ainda estão em processo decrescimento.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Eleições e Sociedade: Falta empatia, artigo de Montserrat Martins


eleições 2012

[EcoDebate] Os candidatos que conheço pessoalmente são melhores que seus programas de rádio e TV, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, pois está na moda demonizar os políticos. Mas essa rejeição tem uma lógica: a inteligência dos telespectadores está sendo subestimada pelos marqueteiros – como sabemos, são eles e não os candidatos que decidem o que é veiculado na TV. E já deu para notar que os marqueteiros da capital gaúcha decidiram apostar na ignorância do público. “Ignorante” é ofensa, mas a palavra literalmente se refere apenas a não conhecer, não estar informado, não a problema de caráter. Uso aqui a palavra no sentido literal, pois é a expressão que melhor descreve a ação dos marqueteiros nessa eleição.
Falta empatia do espectador com as pessoas que vê na telinha, porque o espectador não é tão simplista quanto imaginam. Sem empatia falta envolvimento, emoção, poesia. Meras técnicas publicitárias não parecem autênticas, é preciso haver sintonia entre candidato e mensagem. As pessoas, mesmo as mais simples, querem se sentir respeitadas e valorizadas na sua capacidade de percepção. Mesmo que sejam manipuladas muitas vezes, também se tornam mais desconfiadas dos artificialismos que lhes vendem. Querem ter esperança, querem ser bem tratadas e poder demonstrar seu reconhecimento por quem lhes trata bem, com respeito, como pessoas inteligentes.
Os candidatos individualmente são pessoas capazes de debater os problemas da cidade de modo sério, responsável. Mas algumas de suas formas de campanha estão sendo lamentáveis. Vou citar sete exemplos (democraticamente, pois há sete candidaturas majoritárias na capital), alguns que vi, outros que me contaram. Estão telefonando para residências, importunando as pessoas. Se fala de cursos no exterior sem explicar que foram de poucos dias. No rádio se critica a falta de segurança como se a prefeitura fosse a culpada. Se bate na questão dos CCs como se houvesse partido que não os usasse. Se posa ao lado de crianças de um abrigo, na TV, contrariando a legislação da infância e adolescência. Se promete salários aos professores, que não haveria caixa para cumprir. Se fala em “federalização” de professores, como se fosse o prefeito quem decidisse isso.
Espectadores bem informados precisam de argumentos melhores que estes, mas os marqueteiros já decidiram que isso não importa, porque os bem informados são minoria. Já ouvi dizer com toda a franqueza que “o voto de um ignorante vale o mesmo que o voto de um professor universitário”. Então, contando com a desinformação da grande massa, os estrategistas da propaganda política apelam ao sensacionalismo. A um mês e pouco da eleição, é compreensível a dificuldade em abrir mão destes apelos, ou ter controle sobre as estratégias de comunicação dos próprios partidos, no que querem mostrar ou omitir. Isso ocorre em todos os níveis, até nas declarações sobre doadores. Uma declaração de 450 mil reais em prol de uma candidatura tem como doador o próprio partido, o que levou um jornalista a procurar os doadores do partido, identificando 250 mil doados por uma grande construtora. Muito poucas pessoas, raras mesmo, tem acesso a esse tipo de informação.
É possível democracia com transparência, sem artimanhas, sem demagogia, sem rebaixamento da política?
Esse é um dos desafios do século XXI, de conferir à política um caráter cultural, educativo, participativo, que inclua as pessoas em processos de transformação social, ao invés de simplesmente tratá-las como “massa de manobra”. Isso só é possível se houver uma aposta na informação, uma aposta na inteligência das pessoas – inclusive dos espectadores de rádio e TV. Sem o que a eleição não é capaz de mobilizar esperanças, emoções autênticas, e se torna mais parecida com um jogo, com um Big Brother, que com um evento de vital importância para nossa sociedade.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é Psiquiatra.

http://www.ecodebate.com.br/2012/09/03/eleicoes-e-sociedade-falta-empatia-artigo-de-montserrat-martins/