segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Esboço do pedágio prevê cobrança a partir da Torre



O esboço do primeiro pedágio urbano do Recife, proposto pela Odebrecht ao Estado, prevê criar uma nova pista margeando o Rio Capibaribe já a partir do bairro da Torre. Ou seja, o projeto original criaria uma praça de pedágio já na Torre, para quem quisesse utilizar a nova via, que teria 13 quilômetro rumo à Cidade da Copa, em São Lourenço da Mata. O detalhe é que, pelo desenho original, a via pedagiada substituiria a Nova Beira-Rio, um projeto de via sem pedágio anunciado pelo prefeito João da Costa em agosto do ano passado.
A entrega da versão final do projeto pode ou não manter o traçado do esboço e é esperada para ser apresentada pela Odebrecht no próximo dia 20 - considerado o prazo de sete meses concedido ao governo para os estudos, autorizados em 20 de março passado.
O pedágio no Recife é um estudo de uma parceria público-privada (PPP) batizado de Rota do Capibaribe-Ramal da Copa, obra estimada em R$ 490 milhões e que envolveria um contrato de construção, operação e manutenção da via por até 35 anos. A proposta é conectar a Zona Norte e o Centro do Recife ao Ramal da Copa, uma via de R$ 137 milhões já em obras pelo governo estadual.
O Ramal é um novo acesso à Cidade da Copa, complexo imobiliário de R$ 1,6 bilhão e 4,5 mil residências onde fica o estádio do Mundial 2014. O complexo é uma PPP com a Odebrecht, que em outra dessas parcerias propôs até criar na Cidade da Copa um campus que concentraria os cursos da Universidade de Pernambuco (UPE).
Clélia Freitas, secretária-executiva do Comitê Gestor do Programa Estadual de PPPs (CGPE), alega que o projeto, se for viável, pode ou não ter pedágio. No entanto, em 31 de janeiro, quando a proposta chegou à CGPE, o então Secretário de Governo, Maurício Rands, comparou a ideia a áreas urbanas pedagiadas como Linha Amarela, no Rio de Janeiro, e vias expressas de Miami.
Os estudos foram autorizados em 20 de março, numa reunião com presença do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Geraldo Júlio (PSB), prefeito eleito do Recife. O esboço do pedágio começa onde acaba a atual Avenida Beira-Rio, uma estação elevatória da Compesa ao lado do Condomínio Privê Bosque da Torre.
Em agosto de 2011, quando ainda era considerado candidato à reeleição, João da Costa apresentou vários projetos de mobilidade para o Recife, entre eles a Nova Beira Rio, do Derby à BR-101 pela margem esquerda do Capibaribe, mesmo traçado da Rota Capibaribe-Ramal da Copa. Desde que o JC revelou o projeto de pedágio, quarta-feira passada, a prefeitura foi questionada sobre o choque entre projetos, mas preferiu silenciar.
Após a entrega dos estudos do pedágio, o Estado vai checar os números e decidir se a obra sai ou não. Caso vire uma PPP, os R$ 9,5 milhões gastos pela Odebrecht em pesquisas serão ressarcidos pelo vencedor do contrato.




As vias expressas são muito necessárias da perspectiva econômica. Mas os técnicos defendem que elas precisam ter harmonia com o conjunto da região metropolitana. A questão não é tão simples. Um exemplo é o projeto ainda em estudos de criar uma via expressa às margens do Rio Capibaribe, dentro do Recife. Nesse caso, deve-se observar que nas margens do mesmo rio são previstos “parques lineares”, faixas verdes com equipamentos públicos para uso por pedestres e ciclistas. É preciso debater ainda como o transporte coletivo seria beneficiado.
O projeto dentro do Recife é a Rota Capibaribe–Ramal da Copa, que pelo rascunho original começaria no Bairro da Torre, no final da Avenida Beira-Rio, e seguiria às margens do Capibaribe rumo à Cidade da Copa, em São Lourenço da Mata. “As bordas do rio são preciosas. São espaços para um respiro da cidade, para uso das pessoas. Fazer uma via expressa ali pode matar aquela área. Urbanismo é coisa séria. É preciso pensar a cidade no conjunto”, afirma o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU-PE), Roberto Montezuma.
José Mário Cavalcanti, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PE), diz que é favorável a áreas pedagiadas dentro da cidade para restringir o transporte individual.
Nesse caso, afirma, ônibus devem ser prioridade e ter o pedágio bancado pelo governo para não aumentar o preço das passagens. “Para isso, também é preciso oferecer transporte público de qualidade”, enfatiza Cavalcanti.
O projeto, uma possível parceria público-privada (PPP), foi revelado pelo JC há pouco mais de uma semana. A Odebrecht Transport entregaria os resultados dos estudos neste sábado, mas pediu adiamento para o próximo dia 21 de abril.
Outro projeto de concessão é para revitalizar a Ilha de Itamaracá, um novo caminho pelo Janga. “Existe uma simpatia muito grande do governo com esse projeto. Não é que vai sair de todo jeito. Mas ele ligaria o Janga a Itamaracá e também desafogaria a BR-101, com um grande efeito social e econômico”, comenta Lauro Gusmão. O projeto da PPP é estudado ao mesmo tempo por duas empresas, Galvão Engenharia e Andrade Gutierrez. Cada uma propõe um traçado, com estimativas diferentes de custo. “Os estudos podem ou não virar realidade. No final do dia, a decisão é do governo”, ressalta Lauro Gusmão.

Fonte JC


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